Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Refletir

O meu conhecimento, em relação ao doente mental permite-me dizer, que as pessoas na sociedade têm uma ideia muito errada sobre os mesmos, ou seja, quando em conversa com alguém, surge o facto de eu trabalhar com pessoas com patologias psiquiátricas, surgem logo aquelas perguntas de "peritos", do género:

  • eles estão fechados, presos?
  • eles estão amarrados? 
  • não tens medo que te agridam?

E depois surgem perguntas que se prendem com factos antigos, se nos formos informar sobre os tratamentos antigos a nível psiquiátrico, ficámos escandalizados reconheço, mas os tratamentos violentos que estes doentes tinham, as terapias usadas antigamente, não se aplicam nem de perto nem de longe com a actual realidade. Se no século passado se usavam terapeuticas pouco recomendaveis, hoje em dia a realidade é outra. Falo por experiência, que não tenho medo destes doentes, agora compreendo muito bem as suas patologias e o quanto estes seres sofrem, mas por exemplo, hoje em dia não é permitido fechar doentes, muito menos imobiliza-los, não se usa os tão falados coletes de forças, quanto muito já vi um ou outro no museu do hospital onde trabalho. Estes doentes dentro da infelicidade deles, são muito bem tratados, têm terapia e multiplas actividades, com vista a que tenham melhor qualidade de vida dignidade.

 

Espero que as pessoas se comecem a informar mais e melhor sobre este tipo de doenças, estas que podem afectar todos nós, tentar combater estes tão falados estigmas e que ajudem estes doentes a se integrarem na sociedade, estes doentes devidamente diagnosticados e terapeutica adequada podem viver em sociedade da mesma forma que todos nós. As pessoas não podem esquecer, que devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. 

 

Também cabe aos media, informar e educar a sociedade, dando a informação correcta de modo a combater a quantidade de estigmas existentes e claro está que tem de ser em relação a tudo e não só aos doentes psiquátricos. na sociedade é inumeros casos de descriminação que têm de ser combatidos e aos poucos tornar a sociedade mais tolerante e mais preocupada com o mundo que a rodeia. Cada cidadão, deve contribuir para que a descriminação acabe, ou pelo menos que seja minorada, cada um é livre de ter as suas crenças e credos, deve dar as suas opiniões, mas não tem o direito de julgar. Podemos ter a nossa opinião, mas devemos respeitar a opinião do outro.

publicado por pmfsimps às 22:22
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Tipos de doenças Mentais


     
A primeira coisa a ter presente para se compreender um indivíduo com doença mental, é o facto das doenças mentais ou psíquicas serem efectivamente doenças e o comportamento disfuncional pode ser mais doloroso para o próprio do que para os outros.
Deve-se também reconhecer que um comportamento problemático, sem uma causa aparente, pode ser o resultado de uma doença emocional e não uma falha de carácter.
Há diversos exemplos de comportamentos problemáticos que, manifestados durante um longo período de tempo, podem indicar que a pessoa tem uma perturbação emocional. Inclui-se neste caso a agressividade, a tristeza excessiva, a preocupação exagerada, a falta de confiança nos outros, o egoísmo e avareza, o abandono e dependência, o fraco controlo emocional e a hipocondria.

Há muitos tipos diferentes de doenças mentais, tais como:

DEPRESSÃO E DOENÇA MANÍACO-DEPRESSIVA

A Depressão é uma doença mental que pode afectar o humor durante longos períodos de tempo. Os sintomas incluem: perturbação do apetite e do sono, fadiga e perda de energia, sentimentos de inutilidade, culpa e incapacidade, falta de concentração e preocupação com a morte, desinteresse, apatia e tristeza.
A Depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade e, sem tratamento, pode conduzir ao suicídio.
A Doença Maníaco-Depressiva ou Doença Bipolar é também uma doença mental caracterizada por oscilações do humor, havendo períodos de extrema exaltação e outros de depressão profunda.
A fase maníaca manifesta-se por um comportamento hiperactivo, com euforia ou irritabilidade,  insónia, discurso e pensamento rápido e, por vezes, ideias de grandeza.

 

ESQUIZOFRENIA

A Esquizofrenia é uma doença mental grave e crónica que, sem tratamento, impossibilita a pessoa de se comportar normalmente na família, no trabalho e na comunidade.
Os sintomas incluem: - Alucinações (“vozes” e outras), delírios ou falsas crenças patológicas que não são corrigíveis pela razão, pensamento desorganizado, alterações dos afectos, das emoções, do juízo crítico e de vontade.
A pessoa que sofre de esquizofrenia pode falar incoerentemente, deixar de falar, ter respostas emocionais desadequadas, humor embotado ou neutro, ausência de respostas emocionais ou períodos longos de exaltação ou depressão, ideias de perseguição e grandeza ou outras de conteúdo fantástico. Com um tratamento farmacológico adequado, grande parte destes sintomas atenuam-se ou desaparecem.
 
PERTURBAÇÕES ANSIOSAS
Há três principais tipos de perturbações ansiosas:
  • Fobias
  • Perturbação de Pânico
  • Perturbação Obsessivo-Compulsiva
As pessoas com Fobias sentem imenso terror quando confrontadas com situações específicas (estarem em locais superlotados ou terem de falar em público) ou com certos objectos ( pontes ou animais, por exemplo).
As fobias podem impedir a pessoa de ter uma vida normal, obrigando  o indivíduo a fazer adaptações na actividade diária, evitando essas situações ou objectos.
A Perturbação do Pânico é caracterizada pelo aparecimento repentino de um sentimento de terror (pânico), sem causa aparente. Durante o ataque de pânico, a pulsação aumenta, a respiração torna-se rápida e o doente pode suar ou ficar com vertigens. A pessoa passa a recear constantemente que as crises se repitam.
Quem sofre de Doença Obsessivo-Compulsiva tem pensamentos repetitivos, persistentes, involuntários, de conteúdo estranho ao Eu e a propensão a comportamentos ritualizados, que o doente não consegue controlar, tais como lavar constantemente as mãos, verificar repetidas vezes, contar, arrumar etc...
 
PERTURBAÇÕES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR
A Anorexia Nervosa e a Bulimia são doenças do comportamento alimentar, em ligação com a imagem corporal e o controle do impulso alimentar.  Podem ser graves.
Na Anorexia o doente não come, chegando a passar fome, devido a uma distorcida imagem corporal, que lhe causa aversão à comida.
A Bulimia é um ciclo de “encher” (consumindo grandes quantidades de comida) e “purgar” (quer induzindo o vómito, quer pelo abuso de laxantes).
Quem sofre de Anorexia ou Bulimia tem uma preocupação excessiva com a comida e um medo irracional de ficar gordo. 90% dos doentes com Anorexia e Bulimia são do sexo feminino.
publicado por pmfsimps às 22:16
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Conceitos errados

 

As pessoas que sofrem de doenças mentais não irão nunca recuperar?
As doenças mentais tratam-se e muitos doentes recuperam a saúde.

As doenças mentais devem ser encaradas do mesmo modo como se olha para as doenças físicas.  Tal como o cancro e as doenças de coração, sabe-se que muitas doenças mentais têm causas definidas, requerendo cuidados e tratamento. Quando os cuidados e o tratamento são prestados, é de esperar uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem vidas normais. Infelizmente, os preconceitos impedem que as pessoas, uma vez recuperadas das doenças mentais, consigam dar os passos para reingressar na vida vocacional, familiar e social, com total plenitude. Este obstáculo, vem bloquear os esforços que permitiriam que as suas vidas seguissem cursos tão normais e produtivos quanto possível. 
 

As pessoas com doenças mentais são violentas e perigosas para a sociedade?
 
 
                                                                                                  Essas pessoas apresentam tantos riscos de crime como os outros elementos da população em geral. Depois de recuperados e de regresso à comunidade, estes doentes têm maior tendência para se mostrarem ansiosos, tímidos e passivos, mais sujeitos a serem vítimas de crimes violentos, do que autores dos mesmos.
Uma pessoa que tenha tido acompanhamento psiquiátrico, mas sem passado criminal, tem menos probabilidades de vir a ser preso do que a média dos cidadãos.
 
As pessoas que receberam tratamento psiquiátrico são instáveis podendo perder o controlo a qualquer momento?
 
 
 
A maioria das pessoas com doenças mentais têm maior tendência para se afastarem do contacto social, do que de se confrontarem agressivamente com outros.
O receio que a sociedade tem da sua violência é infundado, não sendo uma razão válida para lhes serem negadas oportunidades de emprego, casa ou amizades. Os peritos afirmam que a maior parte das recaídas aparecem gradualmente e não de forma abrupta. Se os médicos, amigos, família e os próprios doentes estiverem atentos aos sinais premonitórios da doença, as crises podem facilmente ser detectadas e tratadas convenientemente, antes de se tornarem demasiado graves.

As pessoas que foram tratadas de perturbações mentais são empregados de baixa qualidade?

Muitas pessoas recuperadas de uma doença mental revelam-se excelentes empregados, havendo muitos patrões a declarar que são mais pontuais e assíduos que outros colegas. Demonstram serem iguais no que se refere à motivação, qualidade de trabalho e duração de tempo no emprego.
Entenda-se que algumas destas pessoas estão sujeitas a recaídas, que podem causar períodos de ausência dos seus empregos. No entanto, através de programas que permitam horários flexíveis e períodos laborais que se acomodem a estas interrupções, estas pessoas podem vir a ser empregados produtivos. É justo que lhes seja dada uma oportunidade.
 
As pessoas que recuperaram de uma doença mental estão mais indicadas para exercerem trabalhos de nível inferior, mas nunca posições de responsabilidade?

Em todas as pessoas, a capacidade de progressão numa carreira depende dos talentos pessoais, da destreza, da experiência e motivação. O mesmo se passa com as pessoas com doenças mentais. Tem havido muitos exemplos de pessoas que, tendo recuperado, foram colocados em lugares de muita responsabilidade. Podem mesmo ser personalidades destacadas. É apenas necessário algum encorajamento para que aqueles que recuperaram das doenças mentais, possam levar a cabo as suas tarefas com todas as suas potencialidades.
publicado por pmfsimps às 22:02
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Atitudes Depreciativas

 

       Algumas das atitudes mais depreciativas relativas à doença mental estão muito enraizadas na sociedade e traduzem-se, frequentemente, na linguagem estigmatizante usada para descrever doentes mentais — "malucos” e “psicopatas”, por exemplo. Algumas pessoas continuam a referir-se aos hospitais psiquiátricos como “casa de malucos”. Não se imagina tratar com tanta facilidade duma maneira tão insensível doentes de cancro, por exemplo. Palavras como estas magoam e reforçam o estigma já associado à doença mental. A verdade é que estas pessoas vivem com uma doença que pode ser bastante dolorosa.

publicado por pmfsimps às 21:58
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O estigma

 

 

    O estigma, em relação ao doente mental, surge do medo que as pessoas têm sobre aquilo que não conhecem, têm falsas crenças e falta de informação.

publicado por pmfsimps às 21:38
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